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Decisão monocrática
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TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 4ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0027687-97.2025.8.16.0019 Recurso: 0027687-97.2025.8.16.0019 RecIno Classe Processual: Recurso Inominado Cível Assunto Principal: Repetição do Indébito Recorrente(s): Município de Ponta Grossa/PR Recorrido(s): GIANNE DE JESUS PODGURSKI GOMES RECURSO INOMINADO. DECISÃO MONOCRÁTICA. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICO-TRIBUTÁRIA. CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. MUNICÍPIO DE PONTA GROSSA. PAVIMENTAÇÃO ASFÁLTICA. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CELEBRADO COM SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL. PLANO COMUNITÁRIO DE PAVIMENTAÇÃO DE PONTA GROSSA. INSTITUIÇÃO DE ESPÉCIE TRIBUTÁRIA PELA LEGISLAÇÃO MUNICIPAL TRAVESTIDA DE CONTRIBUIÇÃO DE MELHORIA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DO MUNICÍPIO. ALEGAÇÃO DE AUSÊNCIA DE PROVA DO PAGAMENTO DO TRIBUTO. VALOR EFETIVAMENTE PAGO QUE PODE SER APURADO EM FASE DE LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. ADEQUAÇÃO DE OFÍCIO QUANTO AOS CONSECTÁRIOS LEGAIS, POR SUPERVENIÊNCIA DA EC N. 136/2025. PRECEDENTES DESTA TURMA RECURSAL (0030779- 83.2025.8.16.0019). SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. Relatório dispensado (Art. 38 da Lei nº 9.099/95). Decido. Satisfeitos os pressupostos processuais viabilizadores da admissibilidade, tanto os objetivos quanto os subjetivos, o recurso deve ser conhecido. Inicialmente, com arrimo no art. 932 do Código de Processo Civil, em liame com a Súmula sob o n. 568 do Superior Tribunal de Justiça e na forma estabelecida do art. 182, do Regimento Interno deste Tribunal de Justiça do Paraná, passo a julgar monocraticamente o caso abordado nos autos. No mérito, tenho que não comporta acolhimento às razões apresentadas pelo recorrente, uma vez que perfeitamente possível a apresentação dos valores efetivamente pagos na fase de cumprimento de sentença, conforme entendimento exarado pelo Superior Tribunal de Justiça por ocasião do julgamento do REsp nº 1.111.003/PR (Tema nº 115). Nesse sentido, inclusive, é o entendimento adotado por esta 4ª Turma Recursal: RECURSO INOMINADO – JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA –MUNICÍPIO DE SARANDI/PR – AÇÃO DECLARATÓRIA CUMULADA COM REPETIÇÃO DE INDÉBITO – SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA - INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE RECLAMANTE - DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO PREVISTO NO ARTIGO 165 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - SITUAÇÃO QUE ATRAI A INCIDÊNCIA DO TEMA Nº 115/STJ - POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE NA FASE DE CUMPRIMENTO /LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA - REPETIÇÃO DE VALORES DEVIDA ATÉ O ANO DE 2022 - SUPERVENIÊNCIA DA LC Nº 421/2022 – POSSIBILIDADE - EDIÇÃO DA LC Nº 421/2022, QUE DISPÕE SOBRE A PGV – PLANTA GENÉRICA DE VALORES – REGULARIZAÇÃO DA COBRANÇA DO IPTU, QUE PASSOU A OBSERVAR O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DEIXOU DE MAJORAR O REFERIDO TRIBUTO POR DECRETO - PRECEDENTES DESTA QUARTA TURMA RECURSAL (0003146- 67.2022.8.16.0160 E 0002573-29.2022.8.16.0160) – SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. Recurso do reclamante conhecido e provido. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0002037-18.2022.8.16.0160 - Sarandi - Rel.: JUIZ DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MARCO VINICIUS SCHIEBEL - J. 29.09.2025) RECURSO INOMINADO. DIREITO TRIBUTÁRIO. MUNICÍPIO DE SARANDI. JUIZADO ESPECIAL DA FAZENDA PÚBLICA. IPTU E TAXA DE EXPEDIENTE. AÇÃO DECLARATÓRIA DE NULIDADE DE LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO C/C PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. SENTENÇA DE PARCIAL PROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA AUTORAL. ACOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA DE COMPROVANTES DE PAGAMENTO QUE NÃO JUSTIFICA, DIANTE DAS MINÚCIAS DO CASO CONCRETO, A IMPROCEDÊNCIA DO PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. EXTRATOS ACOSTADOS PELA MUNICIPALIDADE APONTAM PARCELAS PAGAS. SITUAÇÃO QUE ATRAI A INCIDÊNCIA DO TEMA Nº 115/STJ. POSSIBILIDADE DE COMPROVAÇÃO DOS VALORES PAGOS INDEVIDAMENTE NA FASE DE CUMPRIMENTO /LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. SENTENÇA REFORMADA IN TOTUM. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO. (TJPR - 4ª Turma Recursal - 0002573-29.2022.8.16.0160 - Sarandi - Rel.: JUÍZA DE DIREITO SUBSTITUTO GIOVANA EHLERS FABRO ESMANHOTTO - J. 29.03.2025) Por fim, no que tange à alteração dos índices aplicáveis, tenho por bem alterá-los de ofício, eis que, por superveniência da Emenda Constitucional nº 136/2025, os consectários legais contra a Fazenda Pública Estadual deverão observar alguns critérios. Assim, sobre o valores a serem apurados em cumprimento de sentença, deverão ser corrigidos desde a data do pagamento indevido, pelos mesmos índices utilizados pela Fazenda Estadual para a correção do seu crédito tributário, com a incidência de juros moratórios desde o trânsito em julgado (Súmula 188, STJ), pelo mesmo índice utilizado pela Fazenda Estadual para a remuneração de seus créditos, respeitada a prescrição quinquenal, para as condenações até o dia 08/12/2021, após essa data, a atualização monetária deverá ser, exclusivamente, a Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC (que contemplará correção monetária e juros num único índice), por superveniência do art. 3º da EC 113/2021. Após 09.09.2025, deverá ser observada a incidência da nova redação do art. 3º da Emenda Constitucional nº 113/2021, momento em que a atualização monetária será feita pela variação do IPCA e, para fins de compensação da mora, incidirão juros simples de 2% ao ano, vedada a incidência de juros compensatórios, salvo se a taxa Selic resultar em montante inferior, hipótese em que esta prevalecerá, nos termos do § 1º do art. 3º da EC 136/2025. Diante do exposto, a reforma parcial da sentença é medida que se impõe, nos termos da fundamentação acima. Decido, portanto, pelo conhecimento e desprovimento do recurso interposto. Ante o insucesso recursal, condeno o recorrente ao pagamento de honorários advocatícios no importe de 20% sobre o valor da condenação. Intimem-se. Publique-se. Curitiba, data da assinatura eletrônica. Aldemar Sternadt Juiz Relator
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